A pintura de Eliardo França nasceu no interior de sua própria experiência como ilustrador, ganhando a pesquisa plástica certa autonomia, já visível nos Contos de Anderson. O artista apresenta um amadurecimento lírico, avesso ao estabelecimento de limites ou hierarquias entre as linguagens. Em seus quadros, trabalha a figura humana, revestindo-a de grande afetividade. Os rostos retomam expressões de um passado revelado pela memória. Os corpos adquirem movimentos instáveis, alegres e sensuais. As formas curvas - os grandes volumes - se transformam em pura leveza ao se afunilarem nas extremidades. A liberdade do desenho funde-se à força cromática num espaço não-perspectivado. O tema é apenas um pretexto para o aflorar do sensível, onde as figuras, marcadas por sutis detalhes, encarnam personagens arquetípicos, em constante diálogo. Maraliz de Castro Vieira Christo Prof. História da Arte da UFJF
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